Sobre a Santa Casa
Há mais de 150 anos, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes dedica-se a cuidar da saúde das pessoas. Filantrópica de confiança e referência no Alto Tietê em Ortopedia, Oftalmologia e Neurologia, a mais longeva instituição de saúde da Cidade reúne cerca de 700 colaboradores e 528 médicos e encerrou 2025 com 801.388 atendimentos, mais de 2 mil por dia, entre usuários do SUS, particulares e convênios. Veja os dados do ano de 2025.
Quem Somos
As “Santas Casas de Misericórdia” surgiram como uma irmandade de acolhimento, de fraternidade e solidariedade. Em Lisboa, Portugal, a rainha Leonor de Lencastre, em fins do século XV, criou a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, instituída para os cuidados com os enfermos e desvalidos. Com seus cuidados caritativos, a filantropia oferece serviços de assistência social e de saúde antes da atuação estatal, recebendo doentes e acolhendo desprotegidos e inválidos. Marcadas pela benemerência, as instituições de misericórdia, como eram conhecidas, atuaram desde o descobrimento do Brasil. A princípio, com caráter de caridade e proteção. Depois, os serviços das casas de misericórdia foram se transformando em espaços hospitalares, responsáveis por grande parte da assistência médico-hospitalar das cidades até a metade do século XX.
O padre Antônio Cândido Alvarenga, vigário de Mogi das Cruzes, reuniu representantes da comunidade mogiana em sua própria casa para criar uma sociedade com o objetivo de dar assistência aos menos favorecidos. O encontro ocorreu no dia 06 de julho de 1873, com a participação de mais de 130 pessoas. Surgia, assim, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes. O grupo idealizou o chamado Asylo da Sociedade Mogyana de Beneficência, primeira denominação da filantrópica, que praticaria a caridade cristã, especialmente quanto à visita e curativo dos enfermos necessitados.
A primeira diretoria foi composta pelos seguintes membros: Presidente, Padre Antônio Cândido Alvarenga; Vice-presidente, Joaquim Augusto Ferreira Alves; Primeiro-secretário, tenente coronel Joaquim Moreira da Glória; Segundo-secretário, capitão José de Campos Freitas; Tesoureiro, tenente coronel Antônio Mendes da Costa; Procurador, José de Almeida Grant; e Ajudante, Capitão Tristão Augusto de Oliveira.
Como primeiros médicos figuravam Dr. Paulo Malheiro de Melo, Dr. Rodrigo Gomes de Vieira de Almeida e Dr. Salvador José Corrêa Coelho. A construção da estrada de ferro ligando São Paulo a Mogi das Cruzes atraía um contingente de trabalhadores, comerciantes, migrantes e imigrantes. As estruturas sociais se organizavam mais fortemente, a Cidade é elevada à Comarca, tem ligação férrea com a Capital e conta com mais de 150 estabelecimentos comerciais e industriais no segundo quartel do século XIX. O aumento das atividades urbanas traz urgência de maiores cuidados com a saúde.
A sede inicial da entidade ficava no Largo do Bom Jesus, nº 1. Havia quatro leitos para homens e igual número para mulheres. Em 1891, o Cel. Benedito José de Almeida lançou uma campanha destinada à construção de “um novo e amplo prédio para o hospital” de Mogi das Cruzes. A tuberculose, lepra e varíola se disseminam pelo País e, em 1892, a grande epidemia de varíola castiga Mogi durante três anos. Em 30 de julho de 1899, é inaugurado o novo prédio, denominado de Asylo da Sociedade Mogyana de Beneficência. O edifício já aparece na planta da Cidade, datada de 1901. Tal levantamento foi executado por ordem da Câmara, com o objetivo de traçar o plano para colocação de esgoto no Município.
O edifício de 1899 ocupava a esquina das atuais ruas Cel. Souza Franco e Olegário Paiva. O benfeitor da Santa Casa, Francisco Martins Esteves, foi o doador de terreno para ampliação das enfermarias e demais dependências do hospital e também destinava a renda dos aluguéis de diversas casas anexas ao terreno para o hospital. Ele era chefe de grande casa comissária de café de Santos e tinha como sócio e gerente o mogiano Olegário Paiva, o que explica seu apreço em ajudar Mogi das Cruzes. Solidários com o objetivo de colaborar com a Santa Casa, os mogianos promoviam, desde o século XIX, bailes carnavalescos, festas juninas, jogos de futebol e até sorteios de loteria para ajudar a instituição.
Em 1939, o prédio já denominado Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes, foi ampliado. Porém, a configuração arquitetônica e tipologia construtiva continuava a mesma de 1899. As instalações obedeciam aos critérios de higiene e cuidados com a saúde: pisos elevados com porões para permitir a circulação de ar entre os pisos de madeira e o terreno; espaços de enfermaria amplos com pés direitos altos para maior conforto térmico e circulação de ar; janelas grandes e envidraçadas com amplas aberturas para insolação e ventilação; e camas metálicas para facilidade de higienização.
O hospital dispunha de duas enfermarias, masculina e feminina, com 14 leitos em cada uma, além de algumas instalações particulares para atendimento de pacientes particulares. Após a Segunda Guerra Mundial, com a industrialização crescente do Brasil e o desenvolvimento de Mogi, torna-se necessário ampliar as instalações de atendimento da Santa Casa.
Durante a década de 1950, começa a construção de uma nova sede do hospital. A edificação antiga seria demolida e entrava em cena o novo projeto, elaborado com quatro pavimentos, e com a fachada voltada para a Rua Barão de Jaceguai, nº 1.148. O novo edifício, atual endereço da Santa Casa, foi inaugurado em setembro de 1956.
Nos últimos 70 anos, várias modificações e acréscimos foram executados no prédio original. No entanto, o número de andares, a fachada principal, o acesso de veículos para pacientes e o corpo principal do edifício mantêm a identidade do que foi edificado em 1950. O terreno compreendido entre as atuais ruas Barão de Jaceguai, Olegário Paiva, Cel. Souza Franco e Antônio Candido Vieira abriga estruturas apartadas do edifício principal, incluindo a Policlínica como Ambulatório de Especialidades do Curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
A Santa Casa Misericórdia de Mogi das Cruzes manteve-se até o final dos anos 1950 como a única estrutura hospitalar da Cidade. Abriga uma linda capela, ícone da fé que rege o conceito das Santas Casas.
(Fonte: Arquiteta Maria Lúcia de Freitas, com pesquisa realizada na Biblioteca Municipal de Mogi das Cruzes, em fevereiro de 2023)
Vocação
Ao longo de mais de um século e meio, a Santa Casa consolidou-se como referência na assistência hospitalar sem abrir mão da vocação filantrópica que lhe deu origem. Nas décadas de 1970 e 1980, funcionou também como hospital universitário, recebendo residentes e estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Hoje, mais de 90% dos atendimentos estão vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS): em 2025, das 13.032 internações, 12.247 foram de pacientes do SUS.
A filantrópica é mantenedora do Hospital Nossa Senhora de Aparecida, nome oficial do hospital que a população reconhece simplesmente como Santa Casa, o endereço número 1 quando precisa de socorro médico na Cidade. Tem reconhecimento de utilidade pública e certificação como Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) e é referência regional em Oftalmologia clínica e cirúrgica, em Neurologia e Neurocirurgia de alta complexidade e em Ortopedia e Traumatologia, além de manter, em convênio com a Prefeitura, o Pronto-Socorro 24 horas, o único de porta aberta da Cidade.
Governança
Regida por estatuto social, a Santa Casa é administrada por uma Mesa Administrativa eleita a cada dois anos pela Irmandade, em Assembleia Geral Ordinária. Os cargos eletivos não são remunerados, e a instituição não distribui lucros, bonificações ou vantagens a seus dirigentes. Desde dezembro de 2024, a Provedoria é ocupada pela primeira vez por uma mulher, Miriam Nogueira do Valle, voluntária da instituição desde 1971.
Trajetória
- 1873 Em 6 de julho, mais de 130 pessoas fundam o Asylo da Sociedade Mogyana de Beneficência, por iniciativa do padre Antônio Cândido Alvarenga.
- 1899 Em julho, a sede deixa o Largo do Bom Jesus e passa para a Rua Olegário Paiva.
- 1956 Em setembro, é inaugurada a sede definitiva, na Rua Barão de Jaceguai, 1.148, no Centro.
- 1971 Em 5 de abril, é fundada a Associação de Voluntários da Santa Casa de Mogi das Cruzes (Avosc).
- 1970 e 1980 A Santa Casa funciona também como hospital universitário, com residentes e estudantes da Faculdade de Medicina da UMC.
- 2016 Em 28 de dezembro, é inaugurado o Novo Ambulatório de Ortopedia e Especialidades, com 890 metros quadrados.
- 2022 Em julho, o Hemocentro Transfusão, com Acreditação ONA Nível 3 Excelência, passa a responder pelos serviços de Hemoterapia e Banco de Sangue.
- 2024 Em outubro, o serviço de Mamografia é certificado pelo Programa de Qualidade em Mamografia (PQM), do Instituto Nacional de Câncer (Inca), com validade de três anos.
- 2024 Em 9 de dezembro, toma posse a Mesa Administrativa do biênio 2025/2026, com Miriam Nogueira do Valle, primeira mulher no cargo de provedora.
- 2025 Ano de 801.388 atendimentos, com a modernização do Centro Oftalmológico, o Pró-Visão em parceria com a Prefeitura, o convênio que garante 120 cirurgias a mais por mês para pacientes do SUS e a reestruturação do Banco de Sangue.
- 2026 Em 6 de julho, a Santa Casa completa 153 anos de fundação.
Mais de um século e meio depois, a Santa Casa segue fiel ao princípio que, nas palavras do vice-provedor Flávio Ferreira Mattos, orienta o trabalho da instituição: “oferecer o nosso melhor sempre, nas condições que temos, enquanto não há recursos para fazer melhor ainda”.
Missão
A Missão da Santa Casa é acolher o paciente com segurança e humanização prestando serviços de saúde com excelência.
Visão
A Visão é consolidar o Hospital como referência assistencial em Ortopedia, Oftalmologia e Neurologia junto à comunidade e à Região do Alto Tietê, valorizando seu corpo clínico e colaboradores, visando reconhecimento, compromisso com responsabilidade social e sustentabilidade.
Valores
Seus Valores são baseados em Valorização da vida e da saúde, Humanização, Ética, Sustentabilidade, Comprometimento com foco no resultado, trabalho em equipe, desenvolvimento profissional e comunicação.
Nossa Estrutura
A Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes funciona em um prédio de três andares, na Rua Barão de Jaceguai, 1.148, no Centro, que acolhe cerca de 2 mil pessoas por dia, entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), particulares e convênios. São 193 leitos, nove deles de UTI Adulto. A estrutura reúne ainda o Pronto-Socorro 24 horas, o Centro Cirúrgico, o Centro de Diagnóstico por Imagens e o Ambulatório de Especialidades e Ortopedia.